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Enquanto não vivo, me alimento de vidas alheias

abril 19, 2010

Durante a tarde me dediquei a O Grande Gatsby, até a última linha do Fitzgerald. Não faz muito meu tipo, a narrativa, mas o livro é bom. Missão cumprida: menos um não-lido na minha estante.

O problema do livro, na verdade, foi ter me deixado ainda muitas horas vazias para um domingo. Tomei banho e fui ao cinema – tradicional matar de horas. Fui sozinha, como sempre, afinal não se tratava de lazer e sim matar de hora. Soul Kitchen, o filme. Sessão das 18:30 lotada demais para o meu climinha fim de tarde. Excelente filme ocupa-horas: boas risadas sem nenhuma grande transformação ideológica.

De volta à casa, ainda falta de sono e sobra de horas. Tinha completado o download de O Cão Sem Dono, que havia sido iniciado no comecinho da tarde. Sim, baixei o filme por causa do livro – mais meu tipo de narrativa. Nunca consegui fazer amizade com autor desse tal livro. Muito menos que ele lesse minhas histórias. Por mais q eu tenha pedido umas duas vezes. Não sei ser insistente – por isso sempre perco muita coisa.

O filme romantizou um pouco demais a história toda e não achei nem o Ciro nem a Marcela de Até o Dia em que o Cão Morreu lá. Além disso, o excesso de fadeouts me cansou um pouco. Tanto que foi nessa hora, filme rolando, q comecei a escrever. O filme não é ruim, de forma alguma. Mas comparações são inevitáveis. Ao menos resgatei na memória aqueles personagens.

Antes do primeiro filme eu recomecei a ler outro livro. Bestiario, de Cortazar. Indicação de uma inusitada e divertida travessura de sexta-feira, ou melhor, sábado já de manhã. A merda é que sempre demoro um pouco demais lendo em outra língua. A fila inteira do filme + uns 20 minutos antes da sessão começar não me renderam umas 7 páginas. Meu QI não é lá muito elevado, lástima reconhecer isso. Caso contrário meu ano e meio de estudo de espanhol + os dois meses em Buenos Aires me renderiam pouco mais que 7 páginas em 30 ou 40 minutos. Sempre se pode culpar algum déficit de atenção, excesso de sensibilidade pós-parágrafo, coisas do gênero… Você fica até mais interessante.

Falando em outras línguas, tenho uma bateria de exercícios do francês para fazer. Diferente de outras coisas, esse francês não me dá tesão nenhum. Não devo ser mesmo lá muito boa em línguas… (só sou assim amarga aos domingos, ok?)

Deitada aqui, agora, olhando o filme no laptop, os livros de francês ao lado dele, compartilhando a mesma mesa, me toquei que devo ter passado hoje umas 20h dentro do meu quarto, me alimentando de histórias que não são minhas. Indo vez ou outra na cozinha comer ou beber alguma coisa. As vezes interagir um pouco com o pessoal aqui de casa. Na saída pro cinema, de 2 ou 3h, não me privei da vida alheia e permaneci apagada para o resto do mundo. Só um ou dois conhecidos na fila. Duas narrativas, uma escrita e outra audiovisual, que não me diziam respeito. De todos os dias da semana, domingo é o que eu mais faço questão de ser menos eu e o que eu menos faço questão de existir para todo o resto além da minha cama e quarto, afundada em qualquer livro, filme, planos irrealizáveis e idéias furtivas.

Meu cigarro tem um tempo de vida. Minha vida precisa de um cigarro. Essas duas frases estavam em Um Cão Sem Dono. Não que elas tenham muito a ver com o resto do texto, mas sexta, ou sábado quase de manhã, fumei uns dois. Coisa que não costumo fazer. Nem sei tragar direito.

Play it again! And again! And again!

janeiro 19, 2010


Inesperadíssimo, sem caixinha, já no drive, modo ON. Por algum motivo obscuro eu nunca tinha me dedicado ao Obscured by the Clouds, Pink Floyd. Mas ele estava ali pronto, estranha e inesperadamente no som do carro da minha mãe e me fisgou já na primeira música – que na verdade foi a faixa 07, Childhood´s End. Vai, eu estava numa baita ressaca – 5 ou 6 caipirinhas + 1 cerveja + 3 cigarros – e esse climão melancólico caiu como uma luva, principalmente num dia chuvoso como esse domingo. Sei que sentada ali no carro, fiquei me perguntando por que não guardei um pouco do tempo me acabando em Dark Side of The Moon e Wish You Were Here para o Obscured by Clouds em tempos atrás? Já tinha visto tantas vezes esse álbum de bobeira no quarto de Rapha (meu irmão). Tamanha, tamanha burrice nunca ter sido uma ouvinte curiosa e ter me entregue à acomodação dos lugares comuns, porque o álbum é simplesmente Incrível!!!

E então, seguindo viagem, eu e minha estranha mania de repetir as faixas escutamos só a faixa 05 (Wot´s… Uh the Deal) umas quatro vezes. O que foi uma pena porque tardou mais a chegada da faixa 09 (Stay) que eu escutei umas cinco ou seis vezes, mas só depois de ouvir a Childhood´s End umas três vezes mais. Com muito, muito esforço consegui chegar à faixa 10, pra depois repetir a 05, a 07 e a 09. Será esse tipo de fixação algum grau de loucura?

A única coisa que me deixou triste foi a estranha “semelhança” na introdução de Wot´s… Uh the Deal com uma baladinha da fase “Músicas para Novela das 8h” dos Titãs. Fico muito chateada com esse tipo de coisa porque esses roubos maculam o feeling que certas canções causam na gente. O Bowie sofreu muito com isso. Madonna, coitada, não que a versão original fosse magnífica, mas “tocada pela primeira vez” mazelou total.

Pois é, a faixa 05 foi maculada. Mas mesmo assim, os Titãs não roubaram dela o brilho e ela mereceu aquelas tais compulsivas repetições.

Eureka!

dezembro 22, 2009

Vez enquando eu tenho uma ideia. Na verdade estou sempre tendo um monte de ideias uma após outra e outra e outra e nunca chego a concluir nenhuma porque eu sempre mudo de ideia. Talvez, se eu tivesse uma só ideia, eu tivesse um feito! Afinal, com uma só ideia eu teria que trabalhar só com ela, elaborando-a, lutando por ela com unhas e dentes. Com muitas ideias, nas primeiras dificuldades eu boto logo a fila pra andar e pego a ideia seguinte e assim por diante. Enfim, esse fim de semana eu tive uma ideia.

reflexões de domingo (2)

dezembro 14, 2009

Domingo.
Livraria Cultura + Presente de Amigo Secreto
Conversa Inesperada com Amigo de Velhos Tempos
Uma revelação:
O Santo Dai-me começou no Acre!

…e, provavelmente, fruto de uma ousada travessura de um ocioso dominical.

reflexões de domingo (1)

dezembro 14, 2009

Domingo normalmente tem um ar morno. Um clima de espera. De intervalo entre a agitação dos sábados e as responsabilidades das segundas. Domingo é um dia de descanso oficial. Que carrega consigo o fardo de ter que ser leve. O dia mais paradoxal de todos os dias da semana. Por isso ele costuma ser tão enfadonhamente chato – com direito a pleonasmo enfático e tudo mais.