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Ócio criativo – isso não é uma história de amor

abril 7, 2010


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Quando vi Heco pela primeira vez ela me pareceu a mulher mais difícil de ser conquistada de todas as mulheres que eu já tinha visto na vida que, nos meus 11 anos, não tinham sido muitas. Mas isso não importava. Nem que eu tivesse estado com atrizes de cinema, as européias de preferência, nem elas. Heco tinha qualquer coisa superior nos olhos que nada tinham de esnobes. Ela nem precisava ser das mais bonitas. Era como se ela fosse de outro planeta. Ou outra dimensão desse mesmo planeta, talvez você só entendesse se você visse Heco. E tivesse 11 anos quando isso acontecesse. E ela teria 15. E ela nunca olharia para você, ou para mim. Mesmo assim eu sonhava com ela todas as noites.

Foi no terceiro uísque que comecei a lembrar de Heco. A gravata já estava frouxa no pescoço. O paletó posto sobre as costas da cadeira. Uma mão apoiando a cabeça e a outra girando o gelo no copo de cristal fino. Bar de um hotel que já não me caia bem, se é que você me entende. É incrível como sonhos e ambições mudam com o tempo. Naquele dia eu dispensaria qualquer Heco pelo mínimo de perspectiva, qualquer vislumbre de norte.
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>> um trechinho do meu primeiro romance =).
ai você me pergunta: Por que você está escrevendo um romance, criatura?
e eu lhe digo: faço a menor ideia. mas, enfim, comecei.
ele já tem 3 capítulos prontos! os dois primeiros e o final – ou seja, umas 10 ou 12 páginas.
nada como ficar doente e não ter absolutamente nada para fazer, não é mesmo?
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fevereiro 22, 2010

Eu não acredito em deus. Mas tenho várias outras crendices bestas e umas manias estranhas, sabe?

Ontem vi um filme do Quentin

janeiro 26, 2010

Play antes de ler

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Capítulo 1:

O Acerto de Contas

O sol lhe ardia as costas, mas isso pouco importava. Caminhava em direção ao carro a passos largos, coluna ereta, peito firme. Mantivera a postura sóbria levemente dissimulada em um olhar desconfortável quando entrou na casa. Metodicamente ensaiado desconforto nos olhos frente ao espelho retrovisor enquanto dirigia pacientemente, 60km/h, acumulando ânsia em revidar cada ultraje imposto nesses anos de forçada devoção. O tempo em exílio só potencializou as coisas. Tinha planejado, e como tinha planejado retorno exatamente às 13h dessa terça-feira conforme os repugnantes hábitos do sujeito alvo. Sim, alvo, ponto amarelo centro dos arcos branco e vermelhos intercalados, para onde convergem todos os raios da circunferência e, como uma Nikon de foco manual escolhendo cautelozamente o enquadramento, tocou a campanhia. Uma breve visita.

Saiu de lá a passos largos, coluna ereta, peito firme, direção ao Tauros carmin isolado na esquina. O sol lhe ardia as costas mas isso pouco importava. Teve uma satisfação enorme ao estourar os miolos do filho da puta. Deus, lhe abençoe a alma.

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Sim, meu senhores, voltei a escrever.

Em breve disponibilizarei esse ímpeto ficcional para download. Para quem costumava ler o nathaliaq.blogspot, aguarde.

NathaliaQueiroz

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>> O filme: Jackie Brown (mas poderia ter sido qualquer outro do Quentin)

Para outros contos e crônicas, TAG Inverossímeis.

Certa manhã acordei de sonhos intranquilos

janeiro 7, 2010

Constato transformação involuntária

Os de menta nunca queimam muito na entrada. Fumaça leve não entope narinas e o aroma refrescante camufla qualquer suspeita de tragos vespertinos. Entrei no terceiro cigarro seguido e, só agora, me sinto mais leve. A ideia era não ver tão claramente, portanto, quanto mais densa a névoa, melhor. Nem que me custe o maço inteiro e meus dois pulmões inexperientes.

Precisava misturar as ideias mas o clima Pós Noite Anterior me fazia doer a cabeça. Saí um pouco, andar, ares urbanos, não muito longe, areia e maresia. Nunca precisei tanto desse cigarro como agora. Olho para ele antes de levá-lo à boca e vejo alguma coisa da minha moral queimando a cada inspiração ansiosa. Cinzas irrecuperáveis se espalhando com o vento. Devo estar virando algum troço estranho.

Hoje, quando acordei, já um pouco tarde para fazer valer o dia, enxerguei no travesseiro duro uma caligrafia difícil e descobri em uma espiral metálica a causa do incômodo na minha orelha. A caneta havia rasgado com força as folhas de um caderno sendo ambos, força e caderno, velhos conhecidos meus. Com a vista ainda turva de álcool e o sono recente pesando o pescoço, fui decodificando aquele emaranhado bêbado Eu não sou nenhuma caixa de quimeras, nenhum poço de vontades, não sou bicho, não sou arte, não estou em toda parte. Não me escondo, não tenho reservas, sou bem indiscreto, sou indeciso e não tenho intenção de nada. Sou inspirado na mais descarada espontaneidade do destino. Não faço o tipo Boas Maneiras, portanto não me corrija nem me idealize. Sou feito de matéria como qualquer um, que sente sede e tem medo da morte. Eu não sou o escolhido de Deus. Não sou padrão, nem santidade, nem costumo ter sorte.

Amassei folhas arrancadas do caderno jogando toda aquela baboseira pela janela do vigésimo andar. Mas, palavra por palavra, ficou tudo amarrado na minha cabeça revirando a tarde toda, o resto do dia todo até agora.

Vou agora para o quarto cigarro deixando minha boca tão podre quanto minha essência. Talvez eles, também elas, talvez todos eles nunca me perdoem. Certa manhã, ao despertar de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso.

>> quando escrevi isso ai, acredite, ainda não conhecia esse último álbum de Otto. clique na foto e tenha uma surpresa.