Posts Tagged ‘quarto’

O Beijo

junho 3, 2010

Umas duas ou três vezes por ano eu arrumo o meu quarto. Numa dessas vezes achei uma revista, dessas de imagebank, com várias fotos que remetiam a boca, paladar, sensação, relações, universo feminino, etc. Daí, como boa pessoa dispersa que eu sou, abri um parêntese na arrumação do quarto e me dediquei a montar esse mural na minha parede. Ele tá aqui. Até hoje. E todo mundo que entra no meu quarto comenta sobre ele. Já me perguntaram se sou eu nesse beijo mais quente, na foto do meio. Já adoraram e disseram q iam roubar a ideia. Já filosofaram sobre a mulher que se deslumbrou na infância, descobriu o desejo, passou por pudores e medos, se submeteu a riscos e depois, com toda essa carga emocional, vislumbra um futuro… minha gente, já disseram tanta coisa. Disseram, inclusive, que essa colagem erra muito impessoal porque eu não estava em nenhuma das fotos!!! Bom, nesse dia do impessoal eu me irritei um pouco, não vou mentir. Porque, na verdade não sei bem explicar porquê, mas sempre que olho todas essas imagens juntas, dispostas assim, como estão, vejo um monte de mim.

Enquanto não vivo, me alimento de vidas alheias

abril 19, 2010

Durante a tarde me dediquei a O Grande Gatsby, até a última linha do Fitzgerald. Não faz muito meu tipo, a narrativa, mas o livro é bom. Missão cumprida: menos um não-lido na minha estante.

O problema do livro, na verdade, foi ter me deixado ainda muitas horas vazias para um domingo. Tomei banho e fui ao cinema – tradicional matar de horas. Fui sozinha, como sempre, afinal não se tratava de lazer e sim matar de hora. Soul Kitchen, o filme. Sessão das 18:30 lotada demais para o meu climinha fim de tarde. Excelente filme ocupa-horas: boas risadas sem nenhuma grande transformação ideológica.

De volta à casa, ainda falta de sono e sobra de horas. Tinha completado o download de O Cão Sem Dono, que havia sido iniciado no comecinho da tarde. Sim, baixei o filme por causa do livro – mais meu tipo de narrativa. Nunca consegui fazer amizade com autor desse tal livro. Muito menos que ele lesse minhas histórias. Por mais q eu tenha pedido umas duas vezes. Não sei ser insistente – por isso sempre perco muita coisa.

O filme romantizou um pouco demais a história toda e não achei nem o Ciro nem a Marcela de Até o Dia em que o Cão Morreu lá. Além disso, o excesso de fadeouts me cansou um pouco. Tanto que foi nessa hora, filme rolando, q comecei a escrever. O filme não é ruim, de forma alguma. Mas comparações são inevitáveis. Ao menos resgatei na memória aqueles personagens.

Antes do primeiro filme eu recomecei a ler outro livro. Bestiario, de Cortazar. Indicação de uma inusitada e divertida travessura de sexta-feira, ou melhor, sábado já de manhã. A merda é que sempre demoro um pouco demais lendo em outra língua. A fila inteira do filme + uns 20 minutos antes da sessão começar não me renderam umas 7 páginas. Meu QI não é lá muito elevado, lástima reconhecer isso. Caso contrário meu ano e meio de estudo de espanhol + os dois meses em Buenos Aires me renderiam pouco mais que 7 páginas em 30 ou 40 minutos. Sempre se pode culpar algum déficit de atenção, excesso de sensibilidade pós-parágrafo, coisas do gênero… Você fica até mais interessante.

Falando em outras línguas, tenho uma bateria de exercícios do francês para fazer. Diferente de outras coisas, esse francês não me dá tesão nenhum. Não devo ser mesmo lá muito boa em línguas… (só sou assim amarga aos domingos, ok?)

Deitada aqui, agora, olhando o filme no laptop, os livros de francês ao lado dele, compartilhando a mesma mesa, me toquei que devo ter passado hoje umas 20h dentro do meu quarto, me alimentando de histórias que não são minhas. Indo vez ou outra na cozinha comer ou beber alguma coisa. As vezes interagir um pouco com o pessoal aqui de casa. Na saída pro cinema, de 2 ou 3h, não me privei da vida alheia e permaneci apagada para o resto do mundo. Só um ou dois conhecidos na fila. Duas narrativas, uma escrita e outra audiovisual, que não me diziam respeito. De todos os dias da semana, domingo é o que eu mais faço questão de ser menos eu e o que eu menos faço questão de existir para todo o resto além da minha cama e quarto, afundada em qualquer livro, filme, planos irrealizáveis e idéias furtivas.

Meu cigarro tem um tempo de vida. Minha vida precisa de um cigarro. Essas duas frases estavam em Um Cão Sem Dono. Não que elas tenham muito a ver com o resto do texto, mas sexta, ou sábado quase de manhã, fumei uns dois. Coisa que não costumo fazer. Nem sei tragar direito.

É só isso, nada muito além disso

abril 12, 2010

É pedir muito querer que alguém me entenda? Com calma? Que eu tenho meus fracos e minhas feridas e, na hora do susto, me abrace e pronto? Me conforte um pouco e com um pouco de paciência? É só disso que eu preciso, um pouco de compreensão e paciência. Assim, com mais conforto e menos perguntas. Alguém que não tenha urgência, não se engane com meu jeito solto e que não se desespere quando me cair a capa. É só isso. Só preciso de alguém que me queira com calma.

Encondido

fevereiro 23, 2010

Parece que meus montros resolveram sair das sombras para me atormentar um pouquinho. Fazia tempo que eles levavam uma vida sedentária e sem grandes emoções. Resolveram botar a casa pra mexer. Seria uma ótima ideia se tal casa não fosse a minha cabeça.

Diário

fevereiro 22, 2010

O bom mesmo dessa história de diário é que eu posso falar o que eu quiser, me contradizer, não preciso ter moral, posso liquidar ou reavivar o que me convir. Muarh!

playing now

janeiro 12, 2010

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“belezas são coisas acesas por dentro…” Jorge Mautner

|>| Lágrimas Negras, por Gal

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Certa manhã acordei de sonhos intranquilos

janeiro 7, 2010

Constato transformação involuntária

Os de menta nunca queimam muito na entrada. Fumaça leve não entope narinas e o aroma refrescante camufla qualquer suspeita de tragos vespertinos. Entrei no terceiro cigarro seguido e, só agora, me sinto mais leve. A ideia era não ver tão claramente, portanto, quanto mais densa a névoa, melhor. Nem que me custe o maço inteiro e meus dois pulmões inexperientes.

Precisava misturar as ideias mas o clima Pós Noite Anterior me fazia doer a cabeça. Saí um pouco, andar, ares urbanos, não muito longe, areia e maresia. Nunca precisei tanto desse cigarro como agora. Olho para ele antes de levá-lo à boca e vejo alguma coisa da minha moral queimando a cada inspiração ansiosa. Cinzas irrecuperáveis se espalhando com o vento. Devo estar virando algum troço estranho.

Hoje, quando acordei, já um pouco tarde para fazer valer o dia, enxerguei no travesseiro duro uma caligrafia difícil e descobri em uma espiral metálica a causa do incômodo na minha orelha. A caneta havia rasgado com força as folhas de um caderno sendo ambos, força e caderno, velhos conhecidos meus. Com a vista ainda turva de álcool e o sono recente pesando o pescoço, fui decodificando aquele emaranhado bêbado Eu não sou nenhuma caixa de quimeras, nenhum poço de vontades, não sou bicho, não sou arte, não estou em toda parte. Não me escondo, não tenho reservas, sou bem indiscreto, sou indeciso e não tenho intenção de nada. Sou inspirado na mais descarada espontaneidade do destino. Não faço o tipo Boas Maneiras, portanto não me corrija nem me idealize. Sou feito de matéria como qualquer um, que sente sede e tem medo da morte. Eu não sou o escolhido de Deus. Não sou padrão, nem santidade, nem costumo ter sorte.

Amassei folhas arrancadas do caderno jogando toda aquela baboseira pela janela do vigésimo andar. Mas, palavra por palavra, ficou tudo amarrado na minha cabeça revirando a tarde toda, o resto do dia todo até agora.

Vou agora para o quarto cigarro deixando minha boca tão podre quanto minha essência. Talvez eles, também elas, talvez todos eles nunca me perdoem. Certa manhã, ao despertar de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso.

>> quando escrevi isso ai, acredite, ainda não conhecia esse último álbum de Otto. clique na foto e tenha uma surpresa.

Sobre fidelidade e um garoto, ela alta e ele grande

dezembro 29, 2009

A melhor e a pior parte de Nick Hornby é que os livros dele não rendem nem três dias na minha mão. E, depois de ter lido as duas obras principais, acho que não vou resistir. Ignorarei minha ignorância fulebolística e mergulherei no Fever Pitch. Ou passarei horas escutando meu irmão e a namorada num discurso “Imitona, imitona!” ao começar a listar minhas 31 músicas preferidas. Ou roubarei de uma estante próxima (quarto aqui ao lado) um livrinho qualquer com uma coletânea de textos curtos desse tal Nick. Por mais que já me tenham alertado que, depois de High fidelity e About a boy, ele já não me trará grandes emoções. E, talvez,  isso acarrete num “morgando” do cara que tem me apresentado tão bem ao emblemático universo Homem (sexo masculino) Contemporâneo.

Mas, foda-se! Tudo em prol de uma literatura rápida e divertida – adequadíssima à geração “a fila anda”.

Enquanto não decido meu hornbydestino, ocuparei algumas horas ociosas na agência – pra quem não sabe, sou publicitária – com isso >>aqui<<

não perturbe

dezembro 2, 2009

Continuo vestindo a camisa do meu irmão e a tiara de quando fui ao Castigliani, mas já me livrei do short e do sutiã. O bom do seu quarto a portas trancadas é que se pode ficar bem a vontade.